O fundador da Televisão no Brasil

Assis Chateaubriand, também conhecido como Chatô, foi um renomado jornalista, escritor, advogado, professor de direito, empresário, mecenas e político brasileiro, que se destacou como uma das figuras públicas mais influentes do Brasil entre as décadas de 1940 e 1960.

Como magnata das comunicações no Brasil, Chateaubriand era o dono dos Diários Associados, que foi o maior conglomerado de mídia da América Latina, com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e agência telegráfica. Ele também é conhecido por fundar, em 1947, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e por ser o responsável pela introdução da televisão no Brasil, inaugurando a primeira emissora de TV do país, a TV Tupi, em 1950.

Carreira

Assis Chateaubriand nasceu na Paraíba e se formou pela Faculdade de Direito do Recife. Ele começou sua carreira no jornalismo aos 15 anos, escrevendo para o Jornal Pequeno e o Diário de Pernambuco. Em 1917, ele se mudou para o Rio de Janeiro e começou a colaborar com o Correio da Manhã, onde publicou impressões de sua viagem à Europa em 1920. Nessa época, ele também foi correspondente do La Nacion, de Buenos Aires.

Em 1924, Chateaubriand assumiu a direção do jornal O Jornal e, com o apoio financeiro de alguns “barões do café” como Carlos Leôncio de Magalhães e Percival Farquhar, conseguiu comprá-lo no mesmo ano. Ele começou a transformar o jornal incluindo reportagens instigantes em vez de artigos monótonos. O sucesso foi imediato.

Chatô e Vargas

A ascensão de Chateaubriand no jornalismo deve ser vista no contexto das transformações políticas do Brasil nas décadas de 1920 e 1930. Ele apoiou e participou do movimento revolucionário de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder. Ele também tinha inimigos declarados, como Rui Barbosa e Rubem Braga. Apesar disso, ele manteve relações próximas com o governo e ajudou a trazer a televisão para o Brasil, inaugurando a primeira emissora de TV do país, a TV Tupi, em 1950.

Em 1938, Chateaubriand foi condecorado pelo Governo do Chile com a Comenda da “Ordem do Mérito”. Durante o Estado Novo, ele conseguiu de Getúlio Vargas a promulgação de um decreto que lhe dava direito à guarda de uma filha, após a separação da mulher. Nesse episódio, ele proferiu uma frase célebre: “Se a lei é contra mim, vamos ter que mudar a lei”. Em 1952, ele foi eleito senador pela Paraíba e, em 1955, pelo Maranhão.

Chatô e o capital estrangeiro

Chateaubriand era conhecido por suas posturas pró-capital estrangeiro, primeiro o britânico, depois o americano. Ele era muito ligado aos interesses da City londrina e conta-se que ele teria uma vez dito que o Brasil, perante os EUA, estava na condição de uma “mulata sestrosa” que tinha de aceder às vontades do seu gigolô. Ele também era temido pelas campanhas jornalísticas que movia, como a em defesa do capital estrangeiro e contra a criação da Petrobrás.

Inovações na linha de produção e em publicidade

Chateaubriand sempre buscou adquirir novas tecnologias para os Diários Associados. Ele foi o primeiro e único a possuir uma máquina Multicolor, a mais moderna máquina rotativa da época na América Latina. Ele também investiu em serviços fotográficos da Wide World Photo, que possibilitava a transmissão de fotos do exterior com uma rapidez maior do que qualquer outro veículo nacional. Além disso, firmou contratos de exclusividade para o lançamento de produtos com a General Electric e para o pó achocolatado Toddy, cujos anúncios estavam sempre estampados nas notícias e revistas. Com essa orientação publicitária, os jornais dos Diários Associados passaram a anunciar os mais diversos produtos e serviços, desde moda até cheques bancários, algo inédito na década de 1930 no Brasil.

Um descobridor de grandes talentos

Chateaubriand também publicou mais de 11.870 artigos assinados nos jornais, dando oportunidades a escritores e artistas desconhecidos que depois se tornariam grandes nomes da literatura, do jornalismo e da pintura, como Graça Aranha, Millôr Fernandes, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Cândido Portinari.

Chatô – Barão da Mídia

Assis Chateaubriand fundou e dirigiu a maior cadeia de imprensa do país, os Diários Associados, que incluía 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal e uma editora. Ele deixou os Diários Associados para um grupo de funcionários, atualmente liderado por Álvaro Teixeira da Costa, que é agora o terceiro maior grupo de comunicações do país. Ele também foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, de Portugal, em abril de 1960.

Em abril de 1968, Assis Chateaubriand faleceu devido a uma trombose, após uma longa batalha contra a doença. Seu funeral foi prestigiado por mais de 60 mil pessoas e ele foi sepultado no Cemitério do Araçá. Mesmo impossibilitado de falar e com paralisia, ele continuou a escrever até o fim. Ele foi velado ao lado de pinturas de Ticiano e Renoir, simbolizando as três coisas que mais amou na vida: o poder, a arte e as mulheres.

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