Melhores práticas de segurança em silos

9 minutos para ler

É amplamente sabido que o setor de produção agrícola é um dos fortes alicerces que sustentam grande parte da economia do país. Em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 1%, encerrando a recessão dos dois anos anteriores.

Apesar dos avanços e da modernização da agricultura brasileira, a segurança em silos é ainda um assunto que necessita de mais atenção.

O recente prognóstico de crescimento na área plantada e na produtividade de grãos no Brasil prenuncia, também, um aumento nas unidades de armazenagem. Essas estruturas, indispensáveis para a cadeia de produção agrícola, oferecem inúmeros riscos para os funcionários, o que traz à tona a importância de garantir a saúde e a segurança no trabalho.

Porém, quais são os problemas que podem ser causados por um silo não adequado às Normas Reguladoras (NRs)? E quais são as práticas que garantem a segurança nos reservatórios? Para responder a essas questões, elaboramos este artigo para você! Boa leitura!

Quais são os riscos no trabalho em silos?

O processo de industrialização de alimentos consiste no recebimento, na armazenagem, no transporte e, por fim, no descarregamento dos produtos. Os silos são construções essenciais para a agricultura, pois a fase de estocagem dos grãos influencia diretamente na qualidade e no preço das mercadorias.

Todas essas etapas do decurso oferecem muitos perigos e riscos aos trabalhadores. O primeiro se refere à probabilidade de certas situações causarem qualquer tipo de dano à saúde do indivíduo, enquanto o segundo diz respeito às ameaças já conhecidas em um determinado ambiente.

O setor de armazenamento tem um grande potencial de causar sérios acidentes, uma vez que é considerado um espaço confinado e entra na NR-33 (Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados da NBR 14.787 da ABNT).

Vejamos, a seguir, algumas das possíveis ameaças caso as práticas de segurança em silos não sejam adotadas.

Explosão e incêndios

O descarregamento das sementes nas moegas, feito pelos caminhões graneleiros, produz uma imensa nuvem de poeira, em condições adequadas para ocasionar uma explosão. Isso acontece quando a superfície da poeira dos grãos é aquecida até chegar ao ponto de liberação dos gases de combustão que, ao entrarem em contato com uma fonte de energia (eletricidade estática), dão início ao incêndio.

O processo de decomposição das sementes também pode originar gases altamente inflamáveis, como metanol, propanol e butanol, principalmente se a umidade dos grãos for superior a 20%. Além dos perigos da própria explosão e dos incêndios, essa poeira agrícola pode provocar graves problemas respiratórios e oculares.

Riscos físicos diversos

Quando as condições de estocagem de grãos são inadequadas, as chances de proliferação de fungos, bactérias, insetos e ácaros aumentam consideravelmente. Como o trabalho na agricultura industrial é intenso, a frequência respiratória aumenta, o que amplifica, também, a capacidade de absorção de agentes biológicos.

Outros perigos envolvem danos físicos causados pelos ruídos e vibrações excessivos dissipados pelas máquinas que fazem parte do sistema de produção, além do calor demasiado emitido pelas fornalhas. Podem acontecer, também, acidentes diversos em decorrência do manuseio da maquinaria.

Problemas ergonômicos

Os riscos ergonômicos a que os operários estão sujeitos se referem ao fato de as dimensões de acesso ao ambiente confinado serem muito reduzidas, o que exige certa contorção do corpo e dificulta o resgate, caso ocorram acidentes.

Além disso, no momento do carregamento de grãos ensacados, se o trabalhador não estiver bem-instruído, podem ocorrer injúrias à coluna vertebral (incluindo esmagamento de discos), torções e lombalgias.

Acidentes por altura

A dimensão dos armazéns varia de acordo com a sua finalidade, mas, independentemente da finalidade a que se destinam, são estruturas gigantescas. Sendo assim, entram na NR-35 (Segurança para Trabalho em Altura da ABNT) e é necessário que sejam tomadas as devidas precauções.

Soterramento de trabalhadores

O interior de um silo é um local traiçoeiro e hostil. Os riscos de soterramento e asfixia são grandes quando o funcionário entra sozinho no compartimento e tenta andar sobre os grãos (aparentemente firmes e estáveis), sem o cinto de segurança.

Como garantir a segurança em silos?

Para além da obrigatoriedade, manter a segurança nos ambientes de trabalho é uma forma de demonstrar respeito àqueles que tanto se empenham para o sucesso do empreendimento. Confira, a seguir, as principais medidas para se proteger contra os riscos em silos.

Construção em locais adequados

Para que as condições de trabalho em silos sejam mantidas de forma segura, os armazéns podem ser construídos ao ar livre, desde que em terrenos bastante planos e compactados (para suportar a carga de trabalho), arejados, limpos e bem-drenados. É importante, também, que estejam localizados longe de árvores e urbanizações.

Limpeza do local

Quanto à prevenção de explosões, a melhor maneira de evitar que aconteçam é fazendo a limpeza do local com frequência, sempre com aspirador e nunca varrendo a poeira. Após ser coletado, o pó deve ser filtrado e armazenado em silos fora da área de perigo e equipados para minimizar os incêndios.

Monitoramento de temperatura e umidade

A umidade do ar no interior dos silos deve ser mantida em torno de 50%, pois os riscos de explosão aumentam em um ambiente muito seco. Ao mesmo tempo, o excesso de umidade em determinados pontos favorece a deterioração da forragem, provocando a elevação da temperatura.

Ventilação interna

É imprescindível investir em sistemas de prevenção e proteção, como a ventilação do armazém com exaustores. Ela assegura a saúde do operário, uma vez que capta agentes poluentes antes que eles se dispersem pelo ambiente, ajuda a dissipar os gases produzidos pela fermentação e a padronizar a temperatura dos grãos.

Jamais entre em um silo que não esteja ventilado e fique atento à presença de odores ou fumaças no interior ou ao redor da estrutura, pois isso indica a presença de gases tóxicos. Os colaboradores devem procurar atendimento médico imediatamente caso haja sinais de intoxicação, como irritações na garganta, nos olhos ou na pele.

Sinalização da infraestrutura

As construções devem ser providas de estruturas, como escadas e plataformas de acesso, devidamente sinalizadas. As sinalizações de segurança são padronizadas para a identificação dos tipos de risco e as obrigações dos colaboradores para garantir a proteção de todos no local.

Em conjunto dessas medidas, deve ser obrigatório o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e de proteção coletiva (EPC), como máscaras para evitar a inalação de gases, cintos de segurança e protetores contra ruídos, além da utilização de aparelhos que indiquem o nível de gases voláteis suspensos no ar.

Treinamento dos colaboradores

Cabe ressaltar a importância de instruir e capacitar a equipe de trabalho para que todos os funcionários envolvidos na indústria saibam prevenir acidentes e, também, como agir em todas as situações de risco.

As empresas são obrigadas, por lei, a garantir a segurança de seus trabalhadores, mas eles devem informar a ausência de equipamentos e qualquer condição inadequada. Vale lembrar que a maioria dos acidentes ocorre por negligência aos sinais de ameaça.

Hierarquia de controle de riscos

Essa estratégia se refere à ordem das medidas a serem tomadas ao lidar com os perigos do ambiente de trabalho. A primeira delas, e mais eficaz, é eliminar completamente o risco do local quando existir essa possibilidade, caso contrário, deve-se prosseguir com as demais etapas:

  • reduzir o risco;
  • isolar o risco dos colaboradores;
  • administrar o risco por meio de regras operacionais;
  • fornecer equipamentos de proteção coletiva e individual.

Caso vários riscos sejam detectados, sua equipe deve priorizar o controle daqueles que apresentam um maior potencial de danos.

Inspeção antes da armazenagem

Os silos devem ser inspecionados antes da colheita para verificar possíveis falhas na sua infraestrutura. Principalmente os sistemas verticais de armazenamento apresentam o risco de desmoronamento na presença de rachaduras nas paredes, as quais devem ser reparadas antes de enchê-los com a forragem.

Também é preciso verificar a sinalização do local, o funcionamento das máquinas, a limpeza dos silos e qualquer outro item indispensável à segurança dos responsáveis pela silagem, além de repassar as medidas de segurança aos colaboradores.

Normas de Segurança e Saúde do Trabalho (SST)

A Segurança e Saúde do Trabalho corresponde a um conjunto de diretrizes que visam prevenir a ocorrência de acidentes e doenças em trabalhadores durante o exercício de suas funções. Elas são compostas pelas Normas Regulamentadoras (NRs), que fazem parte das leis trabalhistas e devem ser empregadas em todos os ambientes ocupacionais.

É fundamental que a SST seja incorporada à cultura da empresa, por meio de treinamentos, rotinas e condutas que ajudem os colaboradores a permanecerem seguros ao longo dos expedientes. Cabe aos responsáveis pelo negócio garantir que todos estejam a par das normas e as sigam rigorosamente.

O Brasil tem um enorme potencial para o agronegócio, e os índices econômicos demonstram que os produtores têm utilizado essa capacidade com sabedoria. Entretanto, é necessário frisar que os investimentos tecnológicos não podem ser unicamente voltados para manter a qualidade dos produtos, mas também para preservar a vida dos funcionários envolvidos em todas as etapas da cadeia produtiva.

A segurança em silos aumenta consideravelmente quando são empregados equipamentos adequados para a prática da silagem, comercializados por fabricantes especializados no assunto e que reconheçam a importância de empregar materiais duráveis e resistentes em ocupações de alto risco.

A lona dupla-face para silagem é um exemplo disso. Leia o nosso artigo sobre o tema e saiba por que você deve usá-la para a vedação de silos!

Você também pode gostar

Deixe um comentário