Desafios do agronegócio brasileiro: como o fazendeiro deve lidar com a seca?

Apesar de as regiões do país terem climas tão diferentes, há um problema comum a todas: a seca. Esse é um problema que afeta de forma intensa o agronegócio brasileiro, pois a agricultura utiliza cerca de 70% da água disponível no planeta. Com as mudanças climáticas, esse recurso tem se tornado cada vez mais escasso.

Por esse motivo, é preciso encontrar meios de lidar com a seca. Ou seja, saber se há formas de prever períodos de estiagem e também o que fazer para evitar prejuízos causados por ela. Então, continue com a leitura, pois esclarecemos tudo sobre o assunto!

Qual o impacto da seca no agronegócio brasileiro?

O agronegócio é a locomotiva verde do Brasil, pois é o esteio do produto interno bruto nacional. Assim, quando há um período de seca, por menor que seja, todo o país é afetado. A agricultura e a pecuária são os primeiros a sofrerem com a estiagem. Os efeitos secundários são sentidos nos demais setores brasileiros.

As principais consequências no campo são:

  • diminuição do rendimento das plantações e cultivos, podendo, inclusive, resultar em perda total da colheita;
  • perda de peso e morte do gado;
  • redução das reservas de alimentos e, com isso, o aumento do preço de produtos agrícolas;
  • erosão e ressecamento do solo, tornando sua recuperação mais difícil e onerosa;
  • crescimento do desemprego no campo.

A partir desses resultados, há um efeito dominó, prejudicando, como já dito, todos os outros setores do Brasil. Por esse motivo é tão importante encontrar meios para solucionar o problema da seca. Apesar de não haver formas de controlar o clima, é perfeitamente possível produzir em meio a esse cenário e prevenir-se de crises hídricas, como veremos a seguir.

É possível prever tempos de seca?

Felizmente, sim. Há sistemas de monitoramento climático com setores específicos para a agricultura. Dessa forma, é possível informar o produtor sobre as previsões do clima a curto e longo prazo — até três estações à frente.

Essas previsões podem ser feitas por região ou seguindo coordenadas exatas de cada fazenda. Isso contribui de forma significativa para a análise de riscos e desenvolvimento de estratégias para minimizar ou até impedir danos nas safras e criação de animais.

Logo, é aconselhável que o produtor se informe a respeito de quais empresas prestam esse tipo de serviço, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais — Cemaden —, e a Somar Meteorologia.

Como agir preventivamente?

Ações preventivas são fundamentais para deixar o agronegócio menos refém dos impactos climáticos. Assim, é necessário tomar medidas preventivas para que a lavoura e a criação não fiquem comprometidas com a falta de chuvas.

No agronegócio brasileiro, há meios de utilizar menos água. Apesar do investimento, isso garante que nem a colheita nem a criação sejam prejudicadas. Ou seja, investe-se para que não haja perdas futuras. A longo prazo, o produtor verá que a economia com água — resultando em menos custos — e a garantia de não haver prejuízo valem todo o investimento.

Portanto, vejamos quais são as técnicas mais utilizadas para agir preventivamente contra a estiagem:

Planejamento da alimentação animal

No que tange à pecuária, a seca prejudica a produção do pasto. O desenvolvimento dos animais cai drasticamente, podendo resultar em perda de peso. Portanto, é essencial planejar a alimentação dos animais, e, para isso, há duas alternativas.

A primeira é investir em ração formulada, silagem, ureia, feno, confinamento. A outra forma é manejar o solo para garantir a boa qualidade do pasto em todas as épocas do ano, em qualquer situação climática.

Uso de cisternas para armazenar água da chuva

O uso de cisternas para armazenar água da chuva tem se tornado bastante frequente. Esses reservatórios conseguem abastecer toda a fazenda em tempos de estiagem. Porém, é preciso conhecer a quantidade necessária para suprir tanto o consumo da família e funcionários, quanto o do gado e plantação.

É essencial se organizar para utilizar a água das cisternas apenas em épocas necessárias. Assim, caso haja períodos de secas, a reserva hídrica estará disponível para garantir a continuidade da produção, evitando perdas. O ideal é que se tenham duas cisternas: uma para o consumo pessoal, e outra para a agricultura e pecuária.

Irrigação por gotejamento

A irrigação por gotejamento é uma das melhores opções de medida preventiva contra a seca. Trata-se de uma técnica que aplica a água pontualmente por meio de gotas diretamente no solo. São as características do solo e do cultivo é que decidirão a quantidade de gotejadores necessários para manter o terreno com umidade suficiente para o bom desenvolvimento do cultivo.

Essa forma de irrigação é feita utilizando canos ou mangueiras flexíveis de polietileno, que podem estender-se pela superfície ou enterrados a 4 ou 30 centímetros. O sistema subterrâneo fica menos vulnerável a danos mecânicos e causados por pragas.

Em comparação a outras formar de irrigar o cultivo, o gotejamento tende a utilizar até 80% menos água. Isso se deve ao fato de que, ao regar de forma direta e constante no solo, a evaporação diminui. Para reduzir ainda mais os custos, pode-se utilizar a que estiver armazenada na cisterna de produção.

Nesse mesmo sistema, fertilizantes e produtos agroquímicos podem ser utilizados. Assim, a água e adubo chegarão exatamente onde e quando necessários, produzindo colheitas abundantes e de melhor qualidade a preços mais baixos. Outras vantagens são:

  • menos doenças fúngicas, pois, ao não molhar as folhas, é menor a chance de proliferação de fungos;
  • menos ervas daninhas, porque somente as plantas de cultivo serão regadas, e não o terreno todo.

Uso de telas e lonas nas plantações

A plasticultura, ou agricultura protegida, é uma forma de contornar problemas causados pelas grandes variações do clima. Dessa forma, cria-se um ambiente com temperatura e umidades apropriados para o excelente desenvolvimento da lavoura. Isso é feito utilizando telas, lonas e filmes plásticos próprios para a agricultura.

As lonas conseguem controlar a entrada de radiação ultravioleta, mantendo constante a temperatura e diminuindo a evaporação da água. Isso faz com que seja preciso utilizar muito menos desse recurso na irrigação.

Além disso, ela torna possível a colheita mesmo nas entressafras, aumentando o lucro da produção. A cobertura possibilita que o produtor consiga adaptar o ambiente sob a lona de acordo com as necessidades de cada plantio.

Enfim, a seca é um dos maiores desafios para o agronegócio brasileiro. Por esse motivo é tão importante tomar medidas para prevenir-se contra prejuízos que a estiagem pode causar.

Assim, não deixe de planejar a alimentação do gado e considere usar cisternas, gotejadores e lonas em sua lavoura. Além de evitar prejuízos causados pela falta de água, essas medidas ainda tendem a melhorar a qualidade da produção.

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